70. Carta aos Hebreus
70.1- A epístola aos Hebreus pode ser considerada o
mais importante e o mais útil de todos os escritos apostólicos. Todas as
doutrinas dos Evangelhos são ali ilustradas e reforçadas de maneira bastante
lúcida, com muitas referências e exemplos tirados do Antigo Testamento, por
meio de argumentos muito coerentes e convincentes. O teor da carta aos Hebreus
não é apenas um sumário dos Evangelhos, mas também a explanação e o
comentário da Lei de forma a dar sua correta interpretação.
70.2- Nesta carta, Jesus Cristo é apresentado como o
Messias prometido, o propósito de toda a Lei, para justiça daqueles que nEle
crêem. Esta proposição é demonstrada através da explicação de todos os
ritos, sacrifícios e cerimônias mosaicas. Isto é evidência de que a carta
foi escrita "aos hebreus", isto é, aos da religião judaica, a fim
de lhes demonstrar a Divindade de Jesus Cristo, o Messias a quem eles
aguardavam e, pois, deviam receber.
70.2.1- De acordo com o comentarista Schoettgen, o
autor da carta aos Hebreus, para provar a afirmação a respeito de Jesus
Cristo, usa três argumentos: 1- Cristo é superior aos anjos; 2- Ele é
superior a Moisés; 3- É superior a Aarão. Em suma, ele diz, a finalidade de
toda a epístola é mostrar que "Jesus de Nazaré é o verdadeiro
Deus".
70.3- O título da carta, "Aos Hebreus",
foi dado muito tempo depois, pela evidência de que ela foi dirigida a judeus
cristãos, não se sabe se da Palestina ou de Alexandria. Se tivesse sido
escrita a outro povo, dificilmente teria utilidade, pois era preciso que o
leitor estivesse a par do sistema e da crença judaicos.
70.4- É difícil saber a data em que foi escrita
esta importante epístola, mas supõe-se que foi pouco antes da destruição
de Jerusalém, isto é, antes do ano 70. Quanto ao lugar de onde foi enviada,
é dada apenas uma referência: "Os da Itália vos saúdam". Por
essa referência e por outras evidências, a maior parte dos estudiosos e
críticos tem concluído que a epístola foi escrita pelo apóstolo Paulo,
quando se encontrava prisioneiro em Roma. De fato, a opinião de que Paulo
seja o autor é sustentada pelo conhecimento profundo que o escritor tinha do
judaísmo e pelo grande interesse que revelava na salvação do povo de
Israel. Esta é a razão por quê, na ordem dos livros do Novo Testamento, a
carta aos Hebreus segue as demais cartas de Paulo.
70.5- A Carta aos Hebreus é constituída por 13
capítulos e 297 versículos.
70.6- Assuntos da Carta aos Hebreus
1- As palavras que Deus havia falado aos antigos
israelitas por meio dos profetas foram agora aperfeiçoadas pela revelação
de Jesus Cristo; a excelência e a glória de Jesus Cristo; os anjos são
espíritos ministradores de Sua salvação. Cap.1.
2- Essa doutrina é útil e negligenciá-la é
perigoso; a autoridade fora dada a Cristo, que sofreu a morte por amor de cada
homem. Ele não poderia efetuar a redenção sem ter-Se encarnado e sofrido a
morte; assim Ele destruiu a morte e livrou aos que nEle crêem do temor da
morte e da servidão espiritual. Cap.2.
3- Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, é mais digno de
honra do que Moisés, como o Filho é mais do que o servo. Não devemos
endurecer nossos corações à voz de Deus, como os israelitas fizeram, pelo
que foram excluídos de Canaan. Devemos, por exortações, não nos deixarmos
levar pelo mal nem provocarmos a ira de Deus, como fizeram os israelitas que
foram destruídos no deserto. Cap.3.
4- O repouso do cristão é aceito pela fé; a razão
pela qual os judeus não receberam sua promessa; a promessa feita a elas era
um símbolo da promessa cristã; os cristãos devem se esforçar por receber
sua herança. Cap.4.
5- A natureza do sumo sacerdócio de Cristo; sua
preeminência, qualificação e ordem; o estado imperfeito dos crentes hebreus
e a necessidade de aperfeiçoamento espiritual. Cap.5.
6- Os cristãos devem partir dos fundamentos firmes
da fé, já lançados, e não os lançarem novamente. Os que já foram
esclarecidos e se confirmaram na fé, se voltam atrás, não podem ser
renovados novamente. A confiança do apóstolo nos hebreus e sua exortação
para que continuem diligentes e perseverantes. A promessa de Deus a Abrahão.
Cap.6.
7- Abrahão deu dízimo a Melquisedeque, que era
maior do que Abrahão. A perfeição não vem pelo sacerdócio levítico.
Jesus Cristo veio da tribo de Judá e é o Sumo-sacerdote, representado por
Melquisedeque. O sacerdócio de Cristo é imutável, de acordo com o juramento
de JEHOVAH. Cap.7.
8- Sumário do que foi dito a respeito do eterno
sacerdócio de Cristo. A excelência da nova aliança, acima da aliança
antiga. A natureza e a perfeição da nova aliança é demonstrada pelas
profecias. Por esta nova aliança, a antiga fica abolida. Cap.8.
9- Da primeira aliança. Referências ao tabernáculo
e de como os sacerdotes ali serviam. Explica a significação daquilo, uma
alegoria da nova aliança. A excelência de Cristo, Seu ministério e a
eficácia de Seu sangue. Cap.9.
10- A Lei era somente uma sombra da futura aliança
estabelecida por Cristo; o sangue dos animais sacrificados não pode tirar
pecados. Fala do grande propósito de Deus em relação à redenção do
homem. A natureza dessa nova aliança feita entre Deus e o homem. Exortação
à perseverança na fé cristã, na fraternidade e na caridade mútua. O
triste estado dos que se desviaram da fé. As lutas que os cristãos têm de
suportar com paciência, porque os justos se sustentam por sua fé. Cap.10.
11- Definição de fé; os efeitos da fé em várias
pessoas da antiguidade citadas na Palavra. Cap.11.
12- Devemos remover o mal e seguir a carreira à
nossa frente, visando a Jesus como nosso alvo; tirarmos proveito da correção
a que formos sujeitos, e seguirmos a paz. Que ninguém nos prive da graça de
Deus e nada nos desvie, como sucedeu a Esaú, que desprezou seu privilégio.
Compara o privilégio dos cristãos com o dos judeus. Jesus é o Mediador da
nova aliança. devemos servir a Deus com reverência e santo temor. Cap.12.
13- Várias instruções a respeito da fraternidade,
do casamento, da posse de bens, da firmeza naquilo que já foi ensinado pelos
antigos pastores; da obediência aos que foram instituídos em autoridade. O
apóstolo pede que intercedam por ele; pede a Deus que os aperfeiçoe e
pede-lhes que aceitem as palavras desta carta. Saudações finais. Cap.13.
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