82.5.1- Começaremos examinando as
passagens que têm relação com o nascimento do Senhor. Lemos no Evangelho de
Lucas que o anjo disse a Maria:
"E eis que em teu ventre
conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este
será grande, e será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o
trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino
não terá fim. E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não
conheço varão? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o
Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo
que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de
Deus" (Lucas 1:31-35).
82.6- Vemos que Maria concebeu do
Espírito Santo, da sombra do Altíssimo. Não se faz menção a um Filho de
Deus que tenha existido anteriormente. O Filho de Deus de que se fala está no
futuro somente: o Santo que nasceria dela haveria de chamar-se Filho de deus.
Para que o cristianismo tradicional tivesse razão quando afirma que o Filho
existia antes de nascer, a passagem deveria dizer: O Filho de Deus desceu e
foi concebido por ela.
82.7- O Evangelho de Mateus leva-nos
à mesma conclusão:
"E (José) não a conheceu até
que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus"
(1:25).
Em nenhuma parte se encontra que
Jesus Cristo tenha dito que Ele nascera desde a eternidade. O que se pode
concluir, sempre que Ele se refere a Seu Pai, é que Ele foi concebido pelo
concebido pelo Poder do Altíssimo.
82.8- O SENHOR DESDE
A ETERNIDADE
82.8.1- Há, entretanto, uma passagem
na Bíblia em que o Senhor noz diz que ele existia desde antes de Abrahão:
"Disse-lhe Jesus: Em verdade, em
verdade vos digo que antes que Abrahão existisse eu sou". (João 8:58).
Devemos notar, porém, que ele não
disse ter nascido de toda a eternidade. Naquela passagem não está dito que
Ele existia como pessoa ou ser separado de deus antes de nascer na Terra, mas
apenas que já existia antes de Abrahão.
82.8.2- Podemos, também, concluir
que Jesus Cristo tenha existido -não que tenha nascido- desde a eternidade
pelas seguintes palavras do Evangelho de João:
"No princípio era o Verbo e o
Verbo era Deus, e o Verbo estava com Deus... E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós..." (João 1:1 e 14).
O Verbo que existia desde o
princípio, e que era Deus, é a Verdade, a Divina Verdade. Este Verbo ou esta
divina Verdade, ao descer a terra e se fazer carne, chamou-se Jesus Cristo ou
filho do Homem. No íntimo da Divina Verdade encontra-se o Divino Bem, a que
Jesus Cristo chamava de Pai. Isto quer dizer que o Divino Bem e a Divina
Verdade, chamados Pai e filho, são atributos de um mesmo Ser Divino.
82.9 - O SUPREMO
ENSINAMENTO
82.9.1- O maior e mais importante
ensinamento da nova revelação é que Deus mesmo, chamado JEHOVAH no Antigo
Testamento, desceu do céu e veio ao mundo. Ele revestiu-se de um corpo
físico humano e chamou-se Jesus Cristo ("Jesus"= JEHOVAH salva).
Que Jesus Cristo e o Pai sejam uma única pessoa, Ele mesmo no-lo ensinou:
"Eu e o Pai somos Um" (João 10:30).
"Estou há tanto tempo convosco,
e não me tendes conhecido, Felipe? Quem me vê a mim vê ao Pai..."
(João XIV, 9).
É evidente que não se trata de duas
pessoas. Ao contrário disso, no Antigo Testamento se afirma, como veremos,
que JEHOVAH Deus mesmo haveria de vir ao mundo e que fora d'Ele não há outro
Deus. Se o leitor supõe que o Pai e o Filho são duas pessoas distintas em
suas ações, como pode pensar em Deus como sendo um só? Evidentemente
pensará em tantos deuses quanto forem as pessoas divinas que admitir. Não
pode, pois, obedecer, em espírito, ao primeiro e grande Mandamento:
"Ouve Israel: JEHOVAH nosso
Deus, JEHOVAH é um".
82.10 - A UNIDADE DE
DEUS
82.10.1- Que Deus é constituído por
uma única pessoa é o que nos ensina a Bíblia, de maneira irrefutável. As
passagens que se seguem foram tiradas do livro de Isaías:
"Eu sou o Senhor, e não há
outro: fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me
conheças. Para que se saiba desde o nascente do girei, ainda que tu não me
conheças. Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que
fora de mim não há outro: eu sou o Senhor e não há outro". (Isaías
XLV, 5-6).
"Anunciai e chegai-vos e tomai
conselho todos juntos: Quem faz ouvir isso desde a antiguidade? Quem desde
então o anunciou? Porventura não sou eu o Senhor? E não há outro Deus
senão eu; Deus justo e Salvador não há fora de mim. Olhai para mim e sereis
salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus e não há outro (Isaías
XLV, 21-22).
82.10.2- Poderíamos citar muitas
outras passagens semelhantes, porém as que acabamos de transcrever bastam
para acentuar o fato de que só há um Deus, cujo nome foi chamado JEHOVAH no
Antigo Testamento e que veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo.
82.11 - JEHOVAH É
NOSSO SALVADOR E REDENTOR
82.11.1- Os ensinamentos dos profetas
nos mostram claramente que foi JEHOVAH mesmo, nosso único Deus e Senhor, que
veio à Terra para salvar e redimir os homens. Basta-nos citar as seguintes
passagens:
"Eu, eu sou o Senhor, e fora de
mim não há Salvador" (Isaías XLIII, 11).
"...E toda a carne saberá que
eu sou o Senhor, o teu Salvador e o teu Redentor, o Forte de Jacob". (Isaías
XLIV, 24).
82.11.2- Se ainda restarem dúvidas
sobre se foi JEHOVAH mesmo que veio ao mundo, cremos que elas se dissiparão
diante das seguintes passagens:
"Voz do que clama no deserto:
Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus." (Isaías
XL, 3).
"Aniqüilará a morte para
sempre. assim enxugará o Senhor JEHOVAH as lágrimas de todos os rostos, e
tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra: porque o Senhor o disse. E
naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos; na
sua salvação gozaremos e nos alegraremos". (Isaías xxv, 8-9).
"Eis que o Senhor JEHOVAH virá
como o forte, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão vem com ele e
o seu salário diante da sua face. Como pastor apascentará o seu rebanho:
entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu
regaço." (Isaías XL, 10-11).
82.12.3- Há, também, uma profecia
no livro de Zacarias a respeito da nova Igreja e sua fé em Deus como sendo
uma única pessoa:
"E o Senhor será rei sobre toda
a terra; naquele dia um será o Seu nome" (14:9).
82.12.4- Leiamos, agora, o notável
versículo quinto do capítulo 63 de Isaías, esse livro já tantas vezes
citado: "E olhei e não havia quem me ajudasse; e espantei-me de não
haver quem me sustivesse; pelo que o Meu braço Me trouxe a salvação".
Compreende-se, pela leitura deste versículo, que ele se refere a JEHOVAH
mesmo.
82.12.5- Nas várias passagens que
acabamos de examinar, nada encontramos que nos autorize a afirmar que JEHOVAH
enviaria uma outra pessoa ao mundo. Pelo contrário, lemos que o Seu próprio
braço que operou a salvação. Seu "braço" significa a natureza
humana de que JEHOVAH Se revestiu a fim de poder descer até os homens e
salvá-los dos pecados e do poder do inferno. Que seria Ele mesmo quem viria
ao mundo para salvar, isto está claro pelo seguinte versículo, também em
Isaías:
"E naquele dia se dirá: eis que
este é o nosso Deus a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é JEHOVAH,
a quem aguardávamos; na Sua salvação gozaremos e nos alegraremos"
(25:9).
82.13- A RELAÇÃO
ENTRE O PAI E O FILHO, O SENHOR JESUS CRISTO
82.13.1- Há quanto tempo está Deus
com a Igreja Cristã sem que ela tenha conseguido conhecê-lo! Não sabem que
Cristo e o Pai são uma só pessoa! Lemos em João, capítulo 14, versículos
6 a 8:
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o
caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vós me
conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o
conheceis e o tendes visto. Disse-lhe Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que
nos basta". O mesmo pedido continua sendo formulado pela Igreja Cristã
de hoje: "Mostra-nos o Pai". e o Senhor, que voltou a nós em
Espírito, nos responde com a mesma clareza com que falou a Felipe:
"Estou há tanto tempo convosco e não me tendes conhecido, Felipe? Quem
me vê a mim vê o Pai: e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que
eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo nãoue
eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as
digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim é que faz as obras. Crede-me
que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me ao menos por causa das mesmas
obras" (João 14:9 a 11).
84.13.2- O Senhor lamentava que
Felipe não entendesse que ele e o Pai são uma só e mesma pessoa. Mas essa
verdade ainda não foi conhecida pela grande maioria dos cristãos, que não
compreende que o Pai habita nEle como a alma no corpo. De fato, são poucos os
que compreendem estas palavras de Paulo:
"Porque em Jesus Cristo habita
corporalmente toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9).
82.13.3- Se o Pai e o Filho são uma
só Pessoa, e se o Espírito Santo é o Divino Poder que emana dessa Pessoa,
que significa a Divina Trindade? A resposta a esta pergunta pode ser
encontrada já no primeiro capítulo da Bíblia, em Gênesis 1, versículos 26
e 27, onde está escrito que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança.
Se o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, é lógico que no homem
deve haver uma trindade correspondente. A trindade existente no homem é
apresentada pela alma, o corpo e as obras e palavras resultantes da
conjunção dos dois primeiros. É, pois, a trindade de corpo, alma e
operação. No Senhor Jesus Cristo existe essa trindade, embora num grau
infinitamente superior: a alma do Senhor foi chamada Pai, a natureza humana de
que a alma se revestiu foi chamada Filho, e Sua operação ou influência no
homem foi chamada Espírito Santo.
82.13.4- Deus não tinha um corpo
físico, humano, até a Sua vinda à terra, porque enquanto a raça humana
estava em sua integridade não havia necessidade de Ele se revelar aos olhos
corporais do homem, num corpo físico visível. Todavia, Deus sempre esteve
potencialmente na forma humana, é evidente, pois essa forma veio d'Ele. Essa
presença potencial na forma humana é comparada à existência, numa semente,
da forma potencial de todo o vegetal
82.13.5- Embora essa explicação
faça desaparecer muitas das dúvidas existentes com relação À Divina
Trindade, outras dúvidas, entretanto, continuarão a surgir:
"Por que o Senhor orava ao Pai e
em certa ocasião disse que o Pai era maior que Ele? Por que está dito nas
Escrituras que o Filho está sentado à direita do Pai? Como foi possível que
Deus, tendo vivido na terra por algum tempo, pudesse, nesse intervalo,
governar todos os céus e terras?"
82.13.6- Para compreender tais coisas
devemos primeiramente conhecer algo da natureza da alma e de suas relações
com o corpo. A alma de um homem é o mais elevado receptáculo da vida que vem
de Deus. A alma dá vida ao corpo e à mente e é superior à própria
consciência. A alma do homem provém de seu pai e o corpo de sua mãe,
enquanto a mente participa dos dois. A alma do Senhor não era como a alma do
homem, receptáculo de Vida, mas a própria Vida Divina,
o próprio Deus. A Alma ou a Vida de
Jesus procedia do Infinito Deus e era esse Deus, como lemos em João :
"No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, e
o Verbo estava com Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre
nós..." (João 1:1 e 14).
82.13.7- Quando nasce, o homem tem
alma e corpo, mas ainda não possui a mente a não ser em estado potencial.
Logo que uma criança começa a receber sensações do mundo por intermédio
do corpo, a alma começa a trabalhar em face das sensações que lhe chegam
pelos sentidos do corpo, e por esse intercâmbio da alma e do corpo a mente
começa a crescer. A mesma coisa ocorreu em Jesus Cristo: Ele aprendeu como as
outras crianças, embora de um modo muito mais rápido e perfeito. A Sua mente
participava da natureza Divina que Ele havia recebido do Pai (Sua Alma) e
participava também de Maria, de quem havia tomado a matéria de que formou um
corpo. Durante a Sua vida terrena, afastou, gradualmente, as fraquezas que
provinham de Maria e, ao proceder assim, aperfeiçoava Seu Humana e o fazia
Divina.
82.13.8- Este processo de
aperfeiçoamento é chamado, nos Evangelhos, de glorificação, como se
verifica nas seguintes passagens:
"...disse Jesus: Agora é
glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado n'Ele. Se Deus é
glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em si mesmo e logo O há de
glorificar" (João 13:31-32).
"Os Seus discípulos, porém,
não entenderam isso no princípio; mas quando Jesus foi glorificado, então
se lembraram de que isto estava escrito d'Ele" (Ib.12:16).
"E isto disse ele do Espírito
que haviam de receber os que n'Ele cressem; porque o Espírito Santo ainda
não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (Ib., 7:39).
82.13.9- O Senhor foi glorificado
gradualmente e só alcançou completa glorificação quando ressurgiu. Antes
da glorificação plena, Ele falava como se o Pai fosse maior que Ele, orava
ao Pai como se fora outra pessoa. Após ressurgir dos mortos, porém, apareceu
aos discípulos na glória de Sua Divindade e lhes disse:
"É-me dado todo o poder no céu
e na terra" (Mateus 28:18). O humano que Jesus havia assumido durante Sua
vida terra chegou a ser puramente Divino e unificado à Sua Alma, chamada Pai,
e é por isso que Paulo disse que n'Ele "habita corporalmente toda a
plenitude da Divindade" (Col.2:9).
82.13.10- Antes da glorificação
plena, o Senhor tinha, por assim dizer, duas mentes: a que participava da
natureza de sua Alma e a que participava da natureza de Seu corpo. A este
respeito, Ele assemelhava-se aos homens, pois nós temos uma mente superior
que deseja elevar-se segundo os princípios mais nobres da alma, e uma mente
inferior, que quer satisfazer apenas os desejos do corpo. Em certas ocasiões,
vence nossa mente superior, em outras, vence a inferior. No Senhor, porém,
sempre venceu a mente superior. Ele foi sem pecado.
82.13.11- O fato de o Senhor ter
orado ao Pai não quer dizer que ele fosse uma pessoa distinta do Pai. Davi
também falava à sua própria alma, dizendo:
"Por que estás abatida, ó
minha alma, e por que te perturbas em mim? (Salmo 42:5); "Louva ao
Senhor, ó minha alma" (Salmo 146:1).
Não obstante, Davi e sua alma não
eram pessoas distintas. Podemos pedir à nossa mente superior que nos governe
e podemos submeter nosso corpo ao domínio de nosso espírito; por assim
procedermos, não seremos, entretanto, duas pessoas, mas apenas uma.
82.13.12- A alma de Jesus, que era o
próprio Ser Divino, podia governar o céu e a terra, enquanto a mente que se
ia formando em Seu corpo, durante Sua permanência na terra, seguia o processo
normal de aperfeiçoamento.
82.13.13- Também compreenderemos
facilmente a passagem em que é dito que Jesus se sentava à mão direita
(dextra) de Deus, se soubermos o significado da palavra dextra. Nossas mãos
constituem os meios de que nos valemos para realizar nossos desejos. Por elas
temos força e poder. Na Bíblia, a mão direita (dextra) representa o poder
ou a habilidade de que dispomos para alcançar nossos fins. A prova de que a
mão ou o braço representam o poder, temo-la no Antigo Testamento, quando
JEHOVAH diz:
"E olhei e não havia quem Me
ajudasse; e espantei-Me de não haver quem Me sustivesse; pelo que o Meu
braço Me trouxe a salvação" (Isaías 63:5).
82.13.14- Que o Pai e o Filho não
são duas pessoas distintas, vê-se também pelas seguintes palavras do Novo
Testamento:
"Deus nunca foi visto por
alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse O fez
conhecer" (João 1:18).
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