60. Primeira Carta de Paulo
aos Coríntios
60.1- Corinto era uma cidade portuária grega, bem
localizada comercialmente, um entreposto do comércio entre a Itália e a
Ásia. Sobressaía-se, também, pela riqueza, pelo luxo e pelos costumes
depravados de seus habitantes, os coríntios. Paulo fez pelo menos duas
viagens missionária a essa cidade, onde estava sendo instaurada uma igreja
cristã composta de judeus e gentios convertidos. Entre uma visita e outra,
ele escreveu aos seus membros duas cartas doutrinárias, em que fala a
respeito da conduta cristã em oposição aos costumes pervertidos dos
incrédulos.
60.2- Graças ao trabalho de Paulo e de outro
apóstolo, Apolo, estabeleceu-se em Corinto uma igreja numerosa. Mas surgiram
também pessoas que causaram perturbação na igreja com ensinamentos
diferentes dos que Paulo havia dado. Daí surgiram divisões e contendas.
Alguns puseram em dúvida a autoridade e a veracidade das palavras de Paulo,
razão porque, tanto para instruir quanto para defender sua vocação, ele
procura, nas cartas, impor a sua palavra e a sua própria pessoa, não sem
assumir, por conseguinte, um ligeiro tom de arrogância, por causa da
autoridade e rigor em relação aos que perturbavam a congregação. Apesar
disso, o que sobressai nesta carta é o ardente zelo do apóstolo em relação
ao bem-estar de toda a igreja e ao bom sucesso do desenvolvimento espiritual
dos seus membros, de acordo com a boa doutrina cristã.
60.3- Para melhor compreensão de alguns pontos
doutrinais expostos nesta Primeira Carta aos Coríntios, é necessário levar
em conta que várias coisas mencionadas e ensinadas por Paulo ali (como aliás
em todas as suas epístolas) eram sua opinião pessoal e humana e não
doutrina de autoridade Divina, como ele mesmo tinha o cuidado de diferenciar.
Assim, suas posições a respeito do casamento, por exemplo, são peculiares e
diferem da doutrina universal ensinada na Palavra, uma vez que, no entender de
Paulo, eles estavam vivendo os últimos dias, os instantes finais da vida
terrestre, aguardando a súbita volta do Senhor. A situação era tão
urgente, segundo ele entendia, que não havia razão para se preocupar com as
várias coisas da vida doméstica, mas era melhor deixá-las de lado e
evitá-las; entre elas, o casamento.
60.3- A Primeira Carta aos Coríntios foi escrita e
enviada de Éfeso, não muito depois de Paulo ter estado em Corinto. Isto se
deu por volta do ano 57. Nessa primeira carta, o apóstolo pretendia corrigir
erros existentes na Igreja, dos quais havia sido informado por alguns de seus
membros.
60.4- A Primeira carta aos Coríntios tem 16
capítulos e 437 versículos.
60.5- Assuntos da Primeira Carta aos
Coríntios
1- Saudação de Paulo. Fala da prosperidade da
Igreja em Corinto, mas reprova as dissenções que ali havia. Fala dos
desígnios de Deus para converter os pecadores; a incredulidade dos judeus e
gregos. O assunto da pregação de Paulo. Cap.1.
2- Paulo explica por quê ele pregava daquela
maneira, alegando inspiração Divina; é só o Espírito de Deus que pode
revelar coisas Divinas. Paulo diz falar de coisas espirituais, acima da
compreensão de homens naturais, mas compreensíveis ao homem espiritual.
Cap.2.
3- Por causa do estado irregenerado dos coríntios,
Paulo se via obrigado a tratá-los como crianças. Os apóstolos eram somente
instrumentos para conduzi-los aos conhecimento da verdade, uns semeando e
outros colhendo. Fala das fundações da Igreja, e que os que ministram devem
prestar atenção às fundações em que edificam. A Igreja é o templo de
Deus e merece reverência. Ninguém devia se gloriar por causa de sua
sabedoria nem por causa de seu mestre. Cap.3.
4- Os ministros devem ser estimados pela
congregação, pois são como mordomos de Deus. O julgamento precipitado é
condenado. O bem vem de Cristo. O estado mundano da mente dos coríntios.
Paulo enumera suas lutas e sofrimentos. Promete lhes enviar Timóteo, mas
também promete ir pessoalmente corrigir-lhes os abusos. Cap.4.
5- Paulo recomenda a exclusão de quem havia feito
grande mal e repreende os coríntios por serem indulgentes com o transgressor;
deviam lançar fora o velho fermento, a fim de celebrarem a páscoa cristã;
cuidados que deviam ter em não se associarem com pessoas perversas. Cap.5.
6- Os coríntios são reprovados por causa das
disputas que havia entre eles, quando um levava o próprio irmão perante o
tribunal pagão; deviam, antes, sofrer o mal. Nenhum injusto entrará na
glória de Deus. Muitas coisas podiam ser permitidas, mas nem todas convinham
à vida cristã. Sobre os cuidados com o próprio corpo, que é templo de
Deus. Cap.6.
7- Paulo dá várias orientações para a vida de
casados, solteiros e viúvos. Fala de como devemos nos comportar nesta vida,
em relação às coisas eternas. As dificuldades no casamento. Ensinamentos
quanto à virgindade e aos que preferiam não se casar; fala que o compromisso
do casamento cessa com a morte. Cap.7.
8- Várias instruções a respeito de alimentos que
se faziam para oferecer a ídolos; a natureza da idolatria e do verdadeiro
culto. A liberdade que deviam ter para comer ou não o que quisessem, mas
tendo o cuidado de não usarem essa liberdade para ofender a mente de pessoas
simples. Cap.8.
9- Paulo impõe sua vocação apostólica e reclama
para si direitos e privilégios semelhantes aos de Pedro e os demais
apóstolos. Fala que preferia não depender da Igreja dos Coríntios, embora
seja justo que os que trabalham recebam o necessário para seu sustento.
Queria dizer, assim, que pregava aos coríntios de modo desinteressado quanto
a alguma retribuição material da parte deles. Compara a salvação à
corrida de um atleta, aplicando o ensinamento a si mesmo. Cap.9.
10- Fala da história do povo judeu e de como eles
foram sustentados no deserto; do castigo que sobreveio aos infiéis e
desobedientes, o que devia servir para nos alertar, a fim de não repetirem os
mesmos erros cometidos pelos povo judeu. Tais males e seus castigos eram
advertências. Fala da tentação e contra a idolatria. Fala de como deviam
tomar a Ceia do Senhor. Novamente, de alimentos sacrificados a ídolos e do
cuidado que deviam ter para não serem pedras de tropeço aos demais. Cap.10.
11- Paulo repreende os coríntios por várias
irregularidades em sua maneira de conduzir o culto. Fala da atitude de homens
e mulheres orarem com a cabeça descoberta ou coberta, em sinal de respeito.
Repreende-os, também, por causa de suas divisões e heresias e pela maneira
imprópria pela qual celebravam a Santa Ceia. Paulo lhes ensina como deviam
fazer, para que evitassem tomar a Ceia indignamente. Cap.11.
12- Ensina a respeito dos dons espirituais. Diz que
há uma variedade de dons espirituais e uma diversidade de operações.
Enumera esses dons e diz como são dados. A Igreja devia ser como um corpo,
sendo Cristo a cabeça. Os membros deviam se relacionar e se sustentar
mutuamente, cada um com uma função; por isso, deviam buscar os melhores
dons. Cap.12.
13- A caridade ou amor é a essência da religião;
sem ela, coisa alguma tem valor. Paulo descreve a caridade e seu valor. Embora
os dons espirituais cessem, a caridade permanece, pois é o maior dom. Cap.13.
14- Os dons espirituais deviam ser buscados,
principalmente a profecia, de preferência ao dom de línguas estrangeiras.
Como deviam controlar os dons espirituais, havendo sempre um intérprete, para
benefício de todo a congregação. Como deviam agir os profetas, os mestres e
as mulheres; todos deviam agir com humildade e tudo feito em amor. Cap.14.
15- Qual era o evangelho que Paulo pregara aos
coríntios. As testemunhas da ressurreição do Senhor, entre as quais Paulo
se incluía; conta de que modo foi chamado para o apostolado. Fala contra
aqueles que duvidavam da ressurreição; prediz os eventos que deviam
acontecer nos últimos tempos. Cap.15.
16- Paulo exorta os cristãos a enviarem ofertas aos
necessitados de Jerusalém; promete visitá-los; orienta a respeito de como
deviam receber Timóteo e Apolo. Faz outras recomendações e saudações,
concluindo com uma bênção apostólica à Igreja. Cap.16.
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