29.1 - Este livro é chamado "Sepher
Tehilim", ou "Livro dos Louvores", em hebraico. Os Salmos eram
cantados no serviço litúrgico judaico e freqüentemente acompanhados por
instrumentos musicais diversos. Daí vem o nome "Salmo", de
"Saltério", porque o saltério é um antigo instrumento semelhante
à harpa. Por isso, na versão latina "Vulgata" o título deste
livro é "Psalterium".
29.2 - É dito genericamente que
David foi o autor dos Salmos, mas ele só escreveu parte deles, uns 70,
aproximadamente. Os outros autores foram: Salomão, que escreveu 2 Salmos; os
filhos de Korah, 10; Asafe, 12; Heman, 1; Etan, 1; Moisés, 1. Além destes,
há 53 outros Salmos de autoria desconhecida.
29.3 - Há uma clara evidência em
vários Salmos que eles foram inspirados numa linguagem profética, ou seja,
tratavam de eventos e circunstâncias que se cumpririam na vinda do Senhor. Na
verdade, há frases inteiras nos Salmos que prediziam com exatidão fatos
relativos ao Senhor e palavras que Ele diria. Isto era do conhecimento dos
cristãos desde os primeiros tempos, porque eles viram na obra do Senhor Jesus
Cristo a realização de vários Salmos proféticos, como os seguintes:
"Até o meu próprio amigo
íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o
seu cal-canhar" (Salmo 41:9. Compare com Mateus 26:21 a 24).
"Deus meu, Deus meu, por que
me desamparaste? por que te alongas das palavras do meu bramido, e não me
auxilias?" (Salmo 22:1. Compare com Mateus 27:46).
"Tudo isto disse Jesus por
parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; para que se
cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a
minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo".
(Mateus 113:34,35 citando o Salmo 78, vers.2)
O apóstolo Pedro fez a seguinte
menção a um dos Salmos (o de nº 16):
"Porque dele disse David:
Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que
eu não seja comovido. Por isso se alegrou o meu coração e a minha língua
exultou; e ainda a minha carne há de repousar em esperança". (Atos
2:25,26 citando Salmo 16:8,11).
29.4 - Os Salmos não contêm datas
ou referências diretas que indiquem a época em que foram escritos. Mas é
possível, pelo assunto de alguns deles, fixar alguma data referencial. Assim,
parece que 17 dos Salmos foram escritos por David na época em que fugia de
Saul, isto é, entre 1065 e 1055 a.C. Outros 16 ele teria escrito no início
de seu reino, após a morte de Saul, isto é, entre 1055 e 1045 a.C. Durante a
rebelião de Absalão (1024 a.C.) teria escrito mais 8 e, após aquela data,
mais 10. Presume-se também que 48 dos Salmos foram escritos durante o
cativeiro na Babilônia (entre 590 e 520 a.C.) e 49 depois do cativeiro.
29.5 - Os hebreus dividiram os Salmos
em cinco livros, divisão essa que foi observada também pelos primeiros
patriarcas cristãos:
Livro I: do Salmo 1 ao 41;
Livro II: do Salmo 42 ao 72;
Livro III: do Salmo 73 ao 89;
Livro IV: do Salmo 90 ao 106;
Livro V: do Salmo 107 ao 150.
Os livros I, II e III se encerram com
a expressão "Amém e Amém". O livro IV se encerra com a expressão
"Amém e Aleluia" ("Hallelujah" [Hallelu-JAH] quer dizer
"louvai JEHOVAH"). E o último livro termina com
"Aleluia".
29.6 - O número dos Salmos é de
150, mas existe uma diferença entre a numeração nas Bíblias adotadas pela
Igreja Católica (que está como na Septuaginta e na Vulgata) e as demais
Bíblias de outras versões. A diferença existe desde a tradução grega
Septuaginta, que reuniu os Salmos 9 e 10 em apenas um, de número 9. Reuniu
também os Salmos 114 e 115 em outro, que ficou sendo, conseqüentemente, o de
número 113. Já o Salmo 116 foi dividido em dois, passando a ser os de
número 114 e 115. E, finalmente, o Salmo 147 foi também dividido e ficou
sendo 146 e 147. Assim resultou que, embora haja esta diferença de
numeração, a soma dos Salmos é sempre a mesma, 150. O total de versículos
do livro dos Salmos é de 2527, segundo a divisão massorética.
29.7 - Os Assuntos do Livro dos
Salmos
29.7.1 - Os temas dos Salmos são os
mais variados. O ponto central é sempre a redenção do homem, a destruição
das forças do mal e a glorificação do Senhor. A misericórdia Divina e Seu
poder para salvar o frágil ser humano. Os adversários, claramente
simbólicos, são os pagãos perseguidores, as nações opressoras, os judeus
apóstatas e os próprios males do coração, inimigos do espírito. Nesse
plano geral, os Salmos são orações ou súplicas pelo socorro Divino,
ações de graças por Seu livramento e confiança em Sua misericórdia.
29.7.2 - A respeito dos assuntos dos
Salmos, o autor J.C.Rodrigues, em sua obra "Estudo Sobre o Velho
Testamento" (Rio, 1921), escreveu:
"É difícil classificar a
matéria dos Salmos. Algumas autoridades os dividem em salmos de louvor, de
ação de graças, de queixa, didáticos, etc. Mas isto é inútil, pois é
raro o salmo que não se possa classificar em mais de um assunto.
Entretanto, é claro que há entre eles:
"1º) Hinos (Tehilim)
dirigidos ao Altíssimo ora como o Creador do Universo e Senhor de todas as
cousas (7,18,64, 103,144,147); ora como Protector de Israel (19, 28, 32, 45,
46, 47, 65, 66, 74, 75, 134, 135); ora como o Protector de indivíduos, em
ação de graças por sua libertação (17, 29, 33, 39, 137), etc. Estes
Salmos contêm as mais elevadas referências sobre o caráter de Deus que
servem de base para o estudo teológico.
"2º) Os hinos do serviço
litúrgico, como, por exemplo, 14, 23, 47, 80, 86, 131, 134.
"3º) Salmos morais e
religiosos com pensamentos subjetivos mostrando a confiança em Deus, o amor
do serviço do santuário, orações para o perdão dos pecados, e os que se
limitam a repetir grandes verdades religiosas. São exemplos dos primeiros:
22, 41, 43, 51, 90, 120, 124, 126, 127. Dos segundos: 41 e 42. Dos
terceiros, o Salmo 50. E dos outros há muitos, como 14, 31, 33, 49, 12,
etc.
"4º) Há também os Salmos
elegíacos, queixando-se de injustiças particulares, ou lamentando as
injustiças e erros nacionais, e esses quase todos são os menos antigos.
Há outros com lamentações sobre o pecado e a maldade no mundo (9, 11, 13,
35).
"E há outros, nacionais e
referentes ao Rei.
"Desta resenha do conteúdo da
coleção se vê como é amplo o campo que cobre esta obra-prima, este livro
clássico de louvor e de preces a Deus. Não há no mundo uma coleção de
escritos que nos leve para mais perto de Deus, do que esta. Como em nenhuma
outra o homem abre nela o seu coração em emoções quentes de fé e
confiança, ora pedindo perdão dos pecados, ora agradecendo a fonte de
todas as suas alegrias, ora expandindo-se em manifestações de admiração
e regozijo pela onipotência, glória, justiça e misericórdia de Deus;
pela sabedoria que presidiu a Criação do mundo e com que o governa; e
sobretudo pela Sua providência especial para o Seu povo de Israel, a cujo
rei David Ele prometera que seu filho se assentaria eternamente sobre o
trono. De fato, no seu conjunto os Salmos apresentam o quadro mais grandioso
da verdadeira religião, da santa ligação e comunhão com Deus, numa fé
intensa e enérgica".
************************