27.1 - O livro de Job é o mais
singular de todos. Embora escrito a respeito de um mesmo assunto (a salvação
dos homens), difere de todos os outros livros da Bíblia e parece nada ter em
comum com eles. O livro é quase todo poesia. Com exceção dos dois primeiros
capítulos e os dez últimos versículos, que são dados em prosa, todos os
demais trechos são em versos. Por isso este livro é considerado um poema.
27.2 - O Livro de Job é também o
que mais dificuldades traz àquele que pretende fixar uma data para os
acontecimentos nele narrados, visto que as referências são mínimas e o
estilo usa muitas imagens e símbolos. Até nos textos em prosa, as
referências aos números ali parecem indicar que todo o relato é meramente
simbólico, uma criação artístico literária sobre a perseverança na fé
em Deus, uma espécie de parábola, e não necessariamente uma narração
histórica de fatos realmente acontecidos.
27.3 - Muitos acreditam que este
livro foi escrito por Moisés ou por ele compilado de escritos antigos. Outros
acreditam que o livro foi escrito depois da época de Moisés e, até, depois
do cativeiro na Babilônia, mas esses últimos se baseiam em argumentos pouco
convincentes. De qualquer forma, o estilo do livro de Job parece ser mais
antigo do que o dos demais livros da Lei e dos Profetas.
27.4 - A história de Job é, em
resumo, a seguinte: sendo um homem reto, temente a Deus e muito rico, Job, por
sugestão de Satanás, é testado por Deus a fim de se verificar se a sua fé
e o seu temor procediam ou não da prosperidade. Sobrevém-lhe uma série de
desgraças e ele perde tudo o que tem: riquezas, filhos e a própria saúde.
E, não obstante, permanece com a mesma confiança em Deus. Os amigos vêm
aconselhá-lo e, ao invés de trazerem ânimo e solidariedade, passam a
acusá-lo de pecados que ele não tinha cometido. Permanecendo firme em sua
fé e sua inocência, , debate com os amigos a respeito da grandeza de Deus e
da fragilidade da criatura humana. A própria mulher o aconselha a abandonar a
confiança na justiça Divina. Por fim, passando na provação, a riqueza, os
filhos e a saúde de Job são-lhe restituídos e os seus amigos são
repreendidos por suas falsas acusações.
27.5 - O livro tem 42 capítulos e
1070 versículos. O comentarista Adam Clarke traz o seguinte sumário deste
livro:
27.6 - Assuntos do Livro
de Job
Cap. 1 e 2 - Parte I - A tentação
de Job - Uma breve narrativa de Job. O tribunal
do Todo-poderoso. Suas observações com Satan a respeito da fidelidade de Job.
A réplica de Satan. O Todo-poderoso consente em sua tentação. A fidelidade
de Job é confirmada. Satan insinua que se toque na própria pessoa de Job.
Deus consente nessa segunda provação. A miséria em que cai Job. A visita
dos três amigos para o consolarem.
Cap. 3 a 14 - Parte II - Primeira
Série de Debates - Job fala de sua miserável
condição. Elifaz o acusa de falta de firmeza e atribui sua condição
presente à sua infidelidade. Job replica e repreende os amigos. Job se
desespera com a sua sorte e se humilha diante de Deus. Bildade (outro amigo)
refaz as acusações de Elifaz com severidade. Acusa Job de hipocrisia e
exorta-o a se arrepender. Job responde apelando para Deus. Anseia pela morte
como um refúgio de seu sofrimento. Zofar continua a argumentação de seus
companheiros. Condena Job por ainda alegar inocência. Job responde com
severidade e acusa os amigos da pretensão de falarem em nome de Deus. Pede
que sua causa seja levada ao tribunal Divino. Seus sentimentos de temor,
triunfo, humilhação, etc.
Cap. 15 a 21 - Parte III - Segunda
Série de Debates - Elifaz retoma a discussão e
acusa Job de vaidade, dizendo que nenhum homem é inocente e que a conduta de
Job é prova disso. Job responde e se lastima com as acusações injustas que
lhe são atiradas. Deseja a morte. Bildade insiste em sua acusação de
iniqüidade a Job, donde lhe viriam os sofrimentos. Job se põe acima deste
ataque. Apela para a piedade e a generosidade dos amigos. Afirma que o
Todo-poderoso o aflige por razões inteiramente desconhecidas. Fala da
esperança de ressurgir futuramente de sua condição e reclamar a sua
inocência. Zofar repete a acusação. Job responde e prova por muitos
exemplos que, neste mundo, os maus, na maioria, são prósperos, enquanto os
bons estão sujeitos à aflição.
Cap. 22 a 31 - Parte IV - Terceira
Série de Debates - Elifaz, em direta oposição
às últimas observações de Job, diz que a ruína dos maus é certa, e dá
exemplos. Job responde com outros exemplos, embora admita que, no mistério da
Providência, prosperidade e adversidade são comuns a justos e injustos. Mas
nega que isto deva ser tomado como argumento em favor dos últimos. Bildade
tenta provar que Job deve ter pecado, porque nenhum homem é sem pecado à
vista de Deus. Job responde com indignação. Faz uma descrição de sua vida
e desafia seus amigos a lhe apontar um só ato de injustiça que tenha
praticado.
Cap. 32 a 37 - Parte V - O Auge dos
Debates - Os três amigos cessaram o debate e um
quarto, Eliú, condena Job não pelas faltas levantadas pelos outros três,
mas por ter-se portado impiamente nas argumentações. Contesta muitas
afirmações de Job e diz que as provações são enviadas pelo Altíssimo por
sábios e dignos propósitos, e que o dever do homem é o de submeter-se a
isso. Conclui descrevendo o Criador como supremo e incontrolável, que cria,
regula e sustém toda a natureza conforme Seu belter-se a
isso. Conclui descrevendo o Criador como supremo e incontrolável, que cria,
regula e sustém toda a natureza conforme Seu bel-prazer, incompreensível e
misteriosamente, todavia sábia e bondosamente.
Cap. 38 a 42 - Parte VI - Deus
Profere a Absolvição de Job. Sua Restauração.- O
Todo-poderoso aparece e profere o juízo. Dirige a Job palavras sublimes a
partir de redemoinho. Job se humilha diante de Deus. Os amigos são
severamente reprovados por sua atitude nos debates. Devem oferecer
sacrifícios de expiação sendo Job seu intercessor. Job pede por seus amigos
e é atendido. É restaurado ao seu estado original de prosperidade, mas
recebendo o dobro do que tinha antes.
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